27 de jun. de 2014

BREVE HISTÓRICO DA CIÊNCIAS

PACINI, Diogo Barth. 


1665
  • Robert Hook publica os primeiros desenhos de células observando ao microscópio as células mortas de cortiças.


1683 
  • Anton Van Leeuwenhoek observa uma bactéria. Suas descobertas trazem novamente a tona a discussão sobre a geração espontânea de microrganismo.


1831 
  • Robert Brown estudando partes das plantas ao microscópio, descobre o núcleo das células.


1858 
  • Charles R. Darwin e Alfred Wallace propõem, de forma independente, uma teoria de evolução biológica por meio da seleção natural. Apenas em edições posteriores de seu trabalho Darwin usou o termo “evolução”.


1865 
  • O abade Gregor Mendel (1822-1884), de Brünn (Brno, na República Tcheca), publica trabalho sobre experimentos com ervilhas em que propõe as leis da hereditariedade ("leis de Mendel") e supõe que as características hereditárias são transmitidas em unidades. O trabalho permanece quase ignorado até 1900.


1869 
  • O suíço Friedrich Miescher (1844-1895) isola, a partir do pus humano e do esperma do salmão, uma substância com alto teor de fósforo que chama de "nucleína", posteriormente denominada "ácido desoxirribonucléico" (DNA).


1879 
  • Walther Flemming descreve o comportamento dos cromossomos durante a divisão celular.


1882 
  • O alemão Walter Flemming (1843-1905) descobre corpos com formato de bastão dentro do núcleo das células, que denomina "cromossomos".


1886 
  • O botânico austríaco Gregor Mendel propõe as leis básicas da hereditariedade.


1900 
  • O holandês Hugo de Vries (1848-1935), o alemão Carl Correns (1864-1933) e o austríaco Erich Tschermak von Seysenegg (1871-1962) chegam de forma independente aos resultados de Mendel sobre as leis da hereditariedade.


1902 
  • O norte-americano Walter Sutton (1877-1906) e o alemão Theodor Boveri (1862-1915) dão início à teoria cromossômica da hereditariedade (as "partículas" da hereditariedade estariam localizadas nos cromossomos).


1909 
  • A composição química do DNA é identificada como uma longa cadeia molecular de fosfato e açúcar. A palabra “gene” é usada pela primeira vez.


1912 
  • Os alemães Walter Friedrich (1883-1968) e Paul Knipping (1883-1935), seguindo uma idéia de seu compatriota Max lon Laue (1879-1960), estudam a estrutura de cristais por meio dos raios X, que são espalhados pelos átomos conforme seu arranjo espacial (difração).
  • William Lawrence Bragg (1890-1971), nascido na Austrália, chega à lei que descreve esse processo. Seu pai, o britânico William Henry Bragg (1862-1942), analisa matematicamente como se podem determinar as estruturas moleculares a partir das figuras de difração.


1915 
  • O norte-americano Thomas Hunt Morgan (1866-1945) e seus alunos Alfred Sturtevant (1891-1970), Hermann Joseph Muller (1890-1967) e Calvin Bridges (1889-1938) publicam o livro O Mecanismo da Hereditariedade Mendeliana, no qual relatam experimentos com drosófilas, as moscas-das-frutas, e mostram que os genes estão linearmente dispostos nos cromossomos.


1923 
  • Robert Feulgen, pelo método de colocação DNA-especifico fortalece a teoria de que os genes estão localizados nos cromossomos.


1927 
  • Hermann Joseph Muller mostra que a incidência de raios X sobre os cromossomos pode induzir mutações genéticas.


1928 
  • O inglês Frederick Griffith (1877-1941) publica os resultados de experimentos que mostram que bactérias não-virulentas (neumococos tipo RI) podem matar camundongos se forem injetadas com bactérias virulentas mortas (tipo SII). Isso mostrou que poderia haver transformações genéticas entre tipos de bactéria.


1929 
  • Phoebus Levene descreve a composição química dos ácidos nucléicos.


1931 
  • O russo Phoebus Aaron Levene (1869-1940), trabalhando nos EUA, estuda a estrutura química dos ácidos nucléicos e identifica seus componentes básicos. Os termos “ácido desoxirribonucléico” e “ácido ribonucléico” (RNA) se tornam de uso comum.


1938 
  • O britânico William Astbury (1898-1961) obtém a primeira figura de difração do DNA com o uso de raios X e sugere que ele tem uma estrutura periódica regular. Nessa época, predomina a idéia de que a informação genética está contida nas proteínas, porque o DNA teria uma estrutura muito simples para isso.


1944 
  • O alemão Max Delbrück (1906-1981) cria nos EUA, com o italiano Salvador Luria (1912-1991) e outros, o Grupo Fago (“Phage Group”) para estudar vírus que infectam bactérias (bacteriófagos). A estratégia é investigar os genes combinando física e genética.
  • A norte-americana Barbara McClintock (1902-1992), usando o milho como organismo-modelo, descobre os transposons. Eles são seqüências de DNA capazes de se mover de um lugar para outro no genoma, mostrando que ele é mais dinâmico do que se pensava.
  • Os canadenses Oswald Avery (1877-1955), Colin MacLeod (1909-1972) e Maclyn McCarty (1911-), do Instituto Rockefeller (EUA), mostram que o DNA (e não proteínas) é capaz de transformar bactérias não-patogênicas em patogênicas. Isso sugere que é o DNA que armazena a informação genética.


1949 
  • O austríaco Erwin Chargaff (1905-1992) descobre, nos EUA, uma relação quantitativa entre as bases do DNA: a proporção (razão molar) entre adenina e timina é sempre igual, e o mesmo ocorre entre guanina e citosina.


1950 
  • Os norte-americanos Linus Pauling (1901-1994) e Robert Corey (1897-1971) identificam a estrutura molecular básica de proteínas (o modelo da alfa-hélice). Dois anos depois, eles propõem uma estrutura para o DNA que se mostraria equivocada, com três cadeias helicoidais entrelaçadas (o modelo da tripla hélice).
  • Erwin Chargaff verifica que existe uma proporção aproximada de 1:1 entre as bases nitrogenadas Adenina (A) e Timina(T) e 1:1 entre as bases nitrogenadas Citosina (C) e Guanina (G).
  • Alexander Todd estuda minuciosamente os nucleosídeos (base nitrogenada ligada a um açúcar) e conclui que estes estão ligados a grupos fosfatos das moléculas de desoxirribose, o açúcar do DNA.


1952 
  • Os norte-americanos Alfred Hershey (1908-1997) e Martha Chase (1930- ), usando marcadores radioativos, mostram que é o DNA de um vírus, e não a proteína, que programa as células para fazer cópias do vírus. O experimento reforça a idéia de que os genes estão contidos no DNA.
  • A britânica Rosalind Franklin (1920-1958) obtém imagens de DNA de excelente qualidade, por difração de raios X.


1953 
  • O norte-americano James Watson (1928- ) e o britânico Francis Crick (1916-) decifram, em 7 de março, a estrutura de dupla hélice para o DNA e a publicam na revista Nature de 25 de abril, na qual saem também outros dois artigos sobre o DNA, um de Maurice Eilkins (1916- ), Alexandre Stokes (1919-2003) e Herbert Wilson (1929- ), e outro de Rosalind Franklin e Raymond Gosling, ambos descrevendo resultados experimentais de difração do DNA com raios X que eram compatíveis com a estrutura proposta por Watson e Crick.
  • Em 30 de maio, também na Nature, Watson e Crick analisam as implicações genéticas de seu modelo e sugerem um mecanismo para a replicação do DNA.


1957 
  • Francis Crick afirma que a especificidade de um fragmento de ácido nucléico depende apenas da seqüência de suas bases e que essa seqüência é a chave para a disposição dos aminoácidos em uma proteína particular. Propõe que o fluxo de informação vai do DNA para a proteína e que não pode retornar (suposição que ficou conhecida como o "Dogma Central").


1958 
  • Os norte-americanos Matthew Meselson (1930- ) e Franklin Stahl (1929- ) confirmam a hipótese feita por Watson e Crick de que o DNA se replica de maneira semiconservativa: os dois filamentos da molécula de origem se separam e cada um deles passa a se emparelhar com um filamento novo.


1960 
  • O norte-americano Arthur Kornberg (1918- ) identifica a polimerase, enzima que catalisa a síntese de DNA e que posteriormente se mostrou uma ferramenta importante na engenharia genética.


1961 
  • O sul-africano Sydney Brenner (1927- ), o francês François Jacob (1920-) e Matthew Meselson descobrem que um tipo de RNA (o RNA mensageiro, ou mRNA) leva a informação genética "inscrita" na dupla hélice para a maquinaria celular que produz proteínas. Francis Crick e Jacques Monod tiveram também participação nessa descoberta.
  • O norte-americano Marshall Nirenberg (1927- ) anuncia a comprovação experimental de que uma seqüência de bases especifica uma seqüência de aminoácidos e revela o conteúdo da primeira "palavra" do chamado código genético (três bases uracila correspondem ao aminoácido fenilalanina).


1962 
  • James Watson divide o prêmio Nobel com Francis Crick e Maurice Wilkins pela descoberta.


1966 
  • Grupos de pesquisa liderados por Marshall Nirenberg e pelo indiano Har Gobind Khorana (1922- ) decifram, com outros pesquisadores dos EUA, da Inglaterra e da França, a série completa de “palavras” do código genético.


1968 
  • Daniel Nathans (1928-1999) e Hamilton Smith (1931- ), dos EUA, e Werner Arber (1929-), da Suíça, descrevem as nucleases de restrição, enzimas que reconhecem e cortam seqüências curtas específicas de DNA em pontos determinados.


1969 
  • Isolado o primeiro gene do DNA, responsável pelo metabolismo do Açúcar.


1972 
  • O norte-americano Paul Berg (1926- ) obtém as primeiras moléculas de DNA recombinante, unindo DNA de diferentes espécies e inserindo esse DNA híbrido em uma célula hospedeira.


1975 
  • Dois grupos de pesquisa desenvolvem métodos de seqüenciamento de DNA. O primeiro deles, criado pelos norte-americanos Walter Gilbert (1932-) e Allan Maxam, é complexo; o mais usado atualmente foi desenvolvido pela equipe do britânico Frederick Sanger (1918-).
  • Em encontro internacional em Asilomar (EUA), um grupo de cientistas alerta para a necessidade de estabelecer regras gerais e de segurança para experimentos com DNA recombinante.


197
  • É fundada em São Francisco a primeira empresa de Biotecnologia, a Genentech;
  • Produz a primeira proteína humana em uma bactéria geneticamente modificada e, em 1982, comercializa a primeira droga recombinante, insulina humana.


1977 
  • O britânico Richard Roberts (1943- ) e o norte-americano Phil Sharp (1944-) descobrem, independentemente, que genes de organismos superiores são interrompidos por regiões chamadas íntrons, que não especificam aminoácidos para a formação de proteínas;
  • Frederick Sanger elabora uma técnica capaz de determinar a ordem seqüencial das bases nitrogenadas do DNA de qualquer organismo vivo (pelo método enzimático). Wally Gilbert elabora outra técnica com a mesma função (pelo método químico).


1980 
  • David Botstein, Ronald Davis, Mark Skolnick e Ray White, dos EUA, desenvolvem técnica baseada no uso de enzimas de restrição para fragmentar o DNA. A técnica foi importante para o Projeto Genoma Humano.
  • A Suprema Corte dos EUA decide que formas de vida alteradas podem ser patenteadas.


1982 
  • O primeiro animal (camundongo) transgênico é obtido nos EUA pela equipe de Richard Palmiter e Ralph Brinster.


1983 
  • Companhias nos EUA conseguem obter patentes para plantas geneticamente modificadas.
  • Seqüenciador de DNA automatizado é desenvolvido nos EUA por Marvin Carruthers e Leroy Hood.
  • Kary Mullis idealiza uma técnica experimental que permite obter múltiplas cópias de um fragmento qualquer de DNA.
  • É mapeado nos EUA o primeiro gene relacionado a uma doença, um marcador da doença de Huntington encontrado no cromossomo 4. O estudo de James Gusella permitiu o desenvolvimento de um teste diagnóstico.


1985
  • O britânico Alec Jeffreys (1950- ) publica artigo em que descreve técnica de identificação que ficou conhecida como "impressão digital" por DNA ("DNA fingerprint"), que permitiu a elucidação mais precisa de vários crimes.
  • Publicado artigo do norte-americano Kary Mullis (1944- ) que descreve o método PCR (reação em cadeia de polimerase, em inglês), que possibilita a obtenção rápida de bilhões de cópias de um segmento específico de DNA.
  • Os NIH dos EUA aprovam diretrizes gerais para a realização de experimentos com terapia genética em seres humanos.


1986
  • Plantas de tabaco geneticamente modificadas para se tornarem resistentes a herbicida são testadas em campo pela primeira vez, nos EUA e na França.
  • EPA (Agência de Proteção Ambiental dos EUA) autoriza plantações comerciais desse tipo.


1988 
  • James Watson é nomeado chefe do Projeto Genoma Humano (PGH). O objetivo inicial é mapear e sequenciar o DNA do homem até 2005.
  • Nos EUA, Philip Leder e Timothy Stewart obtêm primeira patente para um animal geneticamente modificado, um camundongo altamente suscetível a câncer de mama.


1989
  • Criação nos EUA do Instituto Nacional para Pesquisa do Genoma Humano (NHGRI), chefiado por James Watson, para determinar toda a seqüência do DNA que compõe os cromossomos humanos.
  • Seqüenciamento por hibridização– Khrapko et al. (1989). FEBS Lett. 256: 118-122 - http://dx.doi.org/10.1016/0014-5793(89)81730-2


1990
  • Lançamento oficial do PGH, com dotações de fundos públicos no total de US# 3 Bilhões.
  • A terapia genética é utilizada pela primeira vez, com sucesso, em uma menina de quatro anos com um tipo de deficiência no sistema imunológico chamado ADA.


1993
  • O Welcome Trust britânico passar a integrar o PGH, também subsidiado por verbas públicas. Pesquisadores na França, Alemanha, China e Japão também integram o projeto


1994
  • Craig Venter funda o IGR (sigla em inglês para Institute of Genomics Research) com financiamento privado.
  • Liberação do tomate Flavr Savr, primeiro alimento geneticamente modificado cuja venda é aprovada pela FDA (agência de fármacos e alimentos dos EUA).


1995
  • Começa a decodificação do genoma humano, previsto para acabar em 2003.
  • É obtida a primeira seqüência completa de DNA de um organismo de vida livre, a bactéria Hemophilus influenzae.


1996
  • Nascimento da ovelha Dolly, primeiro mamífero clonado a partir de uma célula de um animal adulto pelo Instituto Roslin (Escócia) e pela empresa PPL Therapeutics. Só em fevereiro do ano seguinte o feito foi divulgado. Dolly morreria de envelhecimento precoce em fevereiro de 2003.
  • Pirosseqüenciamento – Ronaghi et al. (1996). Anal. Biochem. 242: 84–89. - Http://dx.doi.org/10.1006/abio.1996.0432
  • Mapa genético completo do camundongo.


1998
  • Fundação da Celera Genomics. Começa a disputa entre o setor público e privado pelo pioneirismo do seqüenciamento do genoma humano.
  • O britânico John Sulston (1942- ) e o norte-americano Robert Waterstone seqüenciam o genoma do verme C. elegans, primeiro organismo multicelular a ter o seu DNA transcrito.


1999
  • Sequenciado o primeiro cromossomo humano, o 22, o segundo menor de todos.
  • Mais quatro cromossomos, os de números 5, 16, 19 (em abril) e 21 (em maio), são seqüenciados.


2000
  • Seqüenciamento paralelo de assinaturas baseado em ligação e corte (MPSS) – Brenner et al. (2000). Nature Biot. 18: 630 - 634 -Http://dx.doi.org/10.1038/76469.
  • (26/06) – Anúncio do rascunho do seqüenciamento do genoma humano.
  • Pesquisadores do consórcio público Projeto Genoma Humano e da empresa privada norte-americana Celera anunciam o rascunho do genoma humano, que seria publicado em fevereiro de 2001.
  • No Brasil, pesquisadores paulistas anunciam o seqüenciamento do genoma da bactéria Xylella fastidiosa, a causadora da doença do amarelinho em cítricos. O artigo foi destacado na capa da revista Nature.


2002
  • Cientistas americanos constroem um vírus da pólio no laboratório, utilizando informações sobre seqüências genéticas existentes em bases de dados públicas e tecnologia disponível. É o primeiro agente infeccioso totalmente fabricado pelo homem.
  • Seqüenciamento do genoma do arroz, principal alimento para dois terços da população mundial. É o primeiro alimento básico a ser seqüenciado.


2003
  • É apresentada a versão final do seqüenciamento genético do homem, com conclusão oficial do Projeto Genoma Humano.



BIBLIOGRAFIA:

SILVA, Felipe Rodrigues da. Sequenciamento. Embrapa; Apresentação de Slides, 2005;
BIOLOGIA MOLECULAR E BIOINFORMÁTICA NOTÍCIAS, (http://www.biomol.net/noticias/2006_11_01_arquivo.html)2010;
DNA 50: DESCOBRINDO O SEGREDO DA VIDA (http://www.casadaciencia.ufrj.br/Exposicao/DNA/linha.html), 2010.


BRASIL, PAÍS DE DOUTORES

PACINI, Diogo Barth. 


O pesquisador e blogueiro Alysson Muotri em seu blog Espiral, no G1 postou um artigo muito interessante sobre a situação dos estudantes no Brasil.

Quanto ao meu ponto de vista, concordo plenamente com ele, e ainda acrescento o seguinte (relacionado a ciências Biológicas e da saúde): No Brasil, quando você acha que tem algo, esse algo não serve pra nada. Vejam: Quando você está no ensino fundamental (obviamente depois da 6º ou 7º série), você quer trabalhar e esbarra no seguinte - tenho que aceitar qualquer coisa (não menosprezando nenhuma profissão, leiam que vocês entenderam onde eu quero chegar), visto que não tem nenhuma formação superior. Com o tempo você vai para o ensino médio, descobre que isso não é o suficiente, visto que o mercado de trabalho exige ensino universitário. Tranquilo, você faz o vestibular e vai pra faculdade, lá descobre que o curso não é tudo aquilo que você imaginava, não estou me referindo a qualidade e sim aquela ideia de que quando chegar a faculdade vai estudar só o que gosta, bem, sinto dizer mas isso não é verdade, muitas das matérias vocês não irão gostar, fora que você entra na faculdade com uma ideia, ao longo do curso vai mudando, e quando conclui está com outra opção totalmente diferente do que imaginava (isso é a maioria dos casos, é raro a pessoa que entra e sai com o mesmo pensamento). Agora você concluiu a faculdade, vai para o mercado de trabalho, descobre que ter faculdade não é tão bom assim, já que teve a capacidade de concluir o ensino superior, terá que ter capacidade em se especializar, pois é isso que o mercado de trabalho quer, ESPECIALISTAS.

E não estou falando somente no que diz respeito a empresas privadas, nas públicas também, se você for fazer concurso público, vai se deparar com uma concorrência desleal, pois concorrerá em pé de igualdade (na prova) com outras pessoas, que tem Especialização, Mestrado e muitas vezes Doutorado, se você passar na primeira etapa, não pode comemorar, porque ainda terá a análise de títulos, ai está a desigualdade, pessoas com Especialização, Mestrado ou Doutorado, mesmo que estejam abaixo de você na classificação, irão lhe passar pra trás, visto que isso conta bastante ponto, fora outros pontos, tais como: publicação de artigo, periódicos, livros e/ou capítulos em livros, trabalhos técnicos, produção (patente ou qualquer outro registro), entre outros. Tudo isso conta ponto, com isso, já percebeu, suas chance (caso só tenha graduação) vão a quase 0%. E agora o que fazer? Você irá insistir no concurso, tentará abrir uma empresa ou irá distribuir currículo por ai. E, alguns tentarão uma especialização, neste esbarra em duas situações: Lato-sensu ou Stricto-sensu?; 

Lato-sensu - conhecido como especialização, são cursos em sua maioria teórico, de curta duração de 6 meses à um ano e meio. E nele você terá vários módulos (um de cada assunto relacionado ao tema principal da especialização), onde será avaliado ao final de cada um. Muitos desistem antes do final, outros levam até o final (afinal terá peso no currículo), durante o curso muitos professores irão fazer propaganda e/ou tentaram fazer você continuar o estudo e ir para um mestrado. 

Stricto-sensu - conhecido como mestrado, de tempo variado (mínimo 2 anos), onde você se depara com diversas situações exigidas pelas faculdades: Algumas universidades dificultam a entrada e a saída (pedem pré-projeto e carta de recomendação (normalmente de 2 pesquisadores), além das provas de conhecimento, e do segundo idioma (inglês) fluente), outras facilitam a entrada e dificultam a saída (somente a prova de conhecimento e a carta de recomendação - mas ao longo do curso você terá que escolher um projeto pra participar, e, pra receber o título terá que fazer a prova de proficiência (domínio da língua inglesa)). O melhor a fazer é iniciar com a especialização para acostumar, pois você ainda pode contar com a ajuda dos professores, mas terá que correr atrás de muitas coisas. No mestrado, é cada um por si. Enfim, ai você poderá aumentar o seu leque de opções de trabalho, e aumentará sua chance no concurso. Mas muitos não param por ai e vão para o Doutorado. 

Stricto-sensu - além do Mestrado tem o Doutorado, neste você terá dificuldade de entrar e sair e muita chance pra desistir, pra entrar existem uma série de exigências entre elas fluência em 2 línguas estrangeiras. Pra falar do doutorado eu vou colocar aqui a postagem feita pelo Alysson Muotri no dia 02/03/2010:
 "Durante uma tese de doutorado você passa por diversas situações que o estimulam a desistir, e simplesmente abandonar tudo. São longas horas de dedicação a um determinado assunto. Durante anos você é mal remunerado e nem sonha com qualquer direito trabalhista. Afinal, você é um “estudante”. Mas também não tem diretos estudantis. Esse “limbo” acadêmico que é o doutorado termina após muito sacrifício e abstinência dos prazeres mundanos, sacrifício da saúde, pouco contato com a família e com amigos. Isso acontece com a maioria dos doutorandos em ciências biológicas. Acredito que não seja muito diferente em outras áreas do conhecimento. Se você é exceção, acaba com uma bela tese e os resultados serão publicados numa revista de impacto ou mesmo num livro, dependendo do assunto. Em geral, a maioria dos doutorandos “só” termina a tese. Ela será impressa e arquivada em uma prateleira de alguma biblioteca, de alguma universidade. Resta a sensação de ter contribuído um pouquinho com o potencial intelectual da espécie humana. Para muitos isso basta, afinal agora você tem o título de “doutor”, é uma autoridade em determinada área e um leque maior de possibilidades poderá se abrir para você. Segundo dicionários da língua portuguesa, “doutor” é aquele que atingiu o maior grau de instrução universitária. É todo aquele que defende uma tese na presença de uma comissão julgadora de especialistas da área, os quais julgam a originalidade e relevância da dissertação. Apenas instituições universitárias autorizadas podem conceder o título. No Brasil, “doutor” é também um título tradicionalmente associado a bacharéis, médicos e advogados. Em alguns casos, como para os advogados e certos religiosos, o título é garantido constitucionalmente, com origens não muito nobres, datadas do período da colonização brasileira. Em outros, como no caso dos médicos, o título é informal, garantido pelo povo como respeito ou admiração a esses profissionais. Em países de língua inglesa, os títulos profissionais são usados de forma mais específica para cada caso ou profissão. Por exemplo, usa-se o termo “Medical Degree” ou simplesmente “MD”, informando que o profissional é formado em medicina. Caso esse profissional defenda uma tese, ganha também o direito de usar o “PhD” (Philosophiae Doctor), assim como o “Dr” brasileiro, indicando o mais alto grau acadêmico. “MD” e “PhD” distinguem dois tipos de profissionais de saúde, que podem ou não usar os dois títulos. Voltando ao Brasil. Na realidade, em nosso país, o título de “doutor” se estende para todo “homem muito instruído em qualquer ramo” (a definição do Houaiss), incluindo engenheiro, pastor, político, economista, dentista, delegado etc. E como “instrução” é um parâmetro subjetivo, acaba-se assumindo que todo homem “bem-sucedido” teve instrução. Na sociedade brasileira, a vestimenta do indivíduo, ou seus bens materiais, refletem a imagem “bem-sucedida”. É essa imagem que faz muito engravatado ser chamado de “Doutor” pelas pessoas, principalmente as mais humildes. Esse percurso inusitado do termo “doutor” acaba dividindo classes sociais em doutores (ricos) e não doutores (pobres). “Doutor” deixa de ser utilizado como um título e vira pronome de tratamento. O famoso “Pra você é Doutor Fulano” anda de mãos dadas com o egocêntrico fenômeno nacional “Você sabe com quem está falando?”, bem utilizado em discussões onde o interlocutor busca uma forma de demonstrar superioridade e proteção. O uso indiscriminado do termo reflete a forte tendência do tradicional distanciamento das classes sociais no Brasil. Nesse cenário, o papel do doutor acadêmico acaba diluído, pois o número desses profissionais é bem menor. Longe de mim querer restringir o direito de uso do termo “doutor” somente àqueles que defenderam uma tese. Meu objetivo com esse texto é apenas informar o leitor que existe uma classe de doutor – aquele que faz pesquisa científica. A maioria desses doutores não gosta de ser chamada de doutor, não ganha bem e raramente usa gravata. Há doutores bons e ruins em todas as áreas, doutores que recebem o título por mérito e outros que se autointitulam doutores. Pequenas ações, como reciclar o lixo, economizar água ou recolher o cocô do cachorro da rua, podem alterar em muito nosso ambiente social. O uso do termo “doutor” com mais cuidado pela população pode ajudar a diminuir a distância social, valorizar os melhores profissionais em todos os ramos, além de estimular o aperfeiçoamento individual. "

Bem, como vimos, qualquer pessoa (em especial aos que vão procurar a carreira em Ciências Biológicas e da Saúde), o caminho é longo, cheio de pedras e barreiras, mas temos que seguir em frente, realizar nossos sonhos, conquistar nosso espaço no mundo e quem sabe contribuir ou ajudar e ensinar outros a contribuir para um mundo melhor. Como diz o ditado: "Vamos em frente que atrás vem gente"...

BANCO GENÔMICO: IDENTIFICAÇÃO GENÉTICA DE DIPTEROS DE INTERESSE FORENSE.

PACINI, Diogo Barth.

Banco genômico é uma biblioteca que contém fragmentos de DNA clonados em um numero de vetores. No banco genômico ficam armazenados diversos porções do DNA para que a sociedade cientifica possa consultar e/ou comprar esses fragmentos de DNA para diversos fins, tais como identificação, análise e pesquisa específicas. O Banco genômico em questão é um banco onde serão pesquisados e clonados DNAs referente a dípteros de interesse forense.

            Os Dípteros de interesse forense, são aqueles que podem ser encontrados em cenas de crimes e os estudos destes dípteros podem auxiliar os peritos criminais a solucionar o crime. Os Dípteros podem ser estudados para serem desvendadas as questões do IPM (intervalo pós-morte), das possíveis causa da morte, do local da morte e inclusive o percurso de “desova” deste corpo (quando ocorre). O grupo Diptera engloba, especialmente neste caso, as Moscas, existem diversas espécies de moscas necrófagas (se alimentam ou utilizam carne em decomposição para a reprodução). 

            O corpo após a morte pode ser “visitado” por moscas que tem um sentido olfativo extremamente apurado, que facilita na identificação de indivíduos mortos, isto é, estas moscas não colonizam corpos vivos. O corpo em decomposição passa por vários estádios, que vão de estádio inicial de decomposição até a ossificação, cada etapa de decomposição (período) é colonizado por algumas espécies de moscas, isso significa que as espécies de moscas que colonizam o corpo no estádio inicial de decomposição, são diferentes das espécies que colonizam o corpo em outros estádios, essa diferença facilita a identificação do tempo de morte principalmente se for superior a 3(três) dias de decomposição.

            Existem diversos espécies de moscas que são endêmicas, isso é, são especificas de certas regiões geográficas, conhecendo isso, identificando as moscas que estão colonizando o corpo podemos chegar ao local de morte do individuo e descobrir se o individuo foi morto no local, ou foi “desovado” naquele local, quer dizer, foi morto em um local distinto daquele encontrado, caso seja essa a situação, podemos descobrir por meio da identificação das espécies de moscas, onde o corpo possivelmente passou após a morte e/ou descobrir o local aproximado da morte.

            Sabe-se também que as moscas colonizam de forma diferente os corpos que tiveram alteração químicas, isto é, morte por overdose ou se foi morto envenenado. As moscas também são extremamente sensíveis a umidade, temperatura e a forma de exposição do corpo, isto é, o clima também pode alterar a forma de colonização do cadáver.

            A identificação da moscas podem nos dar tanto o tempo de morte como local da morte, ou até mesmo a causa da morte, por isso é muito importante sabermos identificar tais espécies. Se a mosca coletada estiver no estádio adulto, é fácil identificar por meio de características morfológicas, mas se for coletado larva, ovo ou pupa, é difícil identificar, visto que são muito idênticos, além de existir famílias de dípteros que as espécies que as compões são muito idênticas também em estádio adulto e nestes necessitam serem feitas análises genética para a identificação.

            A finalidade do banco genômico é, utilizando a técnica de PCR-RFLP em DNAmt, para poder encontrar a porção do DNA que caracteriza especificamente uma única espécie, e reproduzindo in vitro esta porção do DNA podemos criar uma biblioteca genômica que os pesquisadores e peritos poderão ter acesso a porção do DNA que identifica as espécies de dípteros que podem ser encontradas no local do crime.

            O primeiro passo é a extração do DNA da amostra. Esta extração tem por finalidade solubilizar os ácidos nucléicos e, em alguns casos, também lisar as células, núcleos e organelas. Para ser realizada com a desintegração dos tecidos adicionando-se um tampão de extração (que mantém a integridade das moléculas de ácidos nucléicos), detergentes (que agem dissociando as proteínas dos ácidos nucléicos  e dissolvendo os lipídeos das membranas celular) e procedendo-se uma homogenização. O extrato é obtido separando-se o material insolúvel por uma série de centrifugações.

            Em seguida é feita a PCR (reação em cadeia da polimerase) é um método de amplificação, isso é, um método para criar diversas cópias de DNA sem o uso de um organismo vivo, essa técnica é muito sensível e por isso tem que ser realizado com muito cuidado para evitar contaminações que possam atrapalhar o resultado, inviabilizando ou tornando o resultado errado. Para fazer a PCR inicialmente tem que ser extraído o material genético, como o produto do banco genômico é ligado a dípteras(Moscas) de interesse forense, inicialmente faz-se uma coleta das moscas, posteriormente uma análise morfológica destes, separando por espécie, em seguida se faz um macerado para separar o DNA, por meio da técnica de RFLP, faz-se a análise das porções que foram desmembradas do DNA para se descobrir a parte que diferencia a espécie, normalmente essa parte é encontrada no DNA mitocondrial, visto que este é herdado exclusivamente da parte materna e é mais protegida do que o DNA nuclear. Após descoberta esta porção de individualização do DNA, faz-se um isolamento e em seguida utilizando a técnica de PCR se faz várias cópias para ser armazenada no banco genômico.

            Após extraído o DNA é misturado em um pré-mix (que contém os dNTPs, os primers e a enzima DNA polimerase, misturados em uma solução tampão) toda essa mistura é colocada em um termociclador, que faz ciclos de temperaturas pré-estabelecidos com tempos exatos.

            A PCR compreende três etapas, na primeira etapa a temperatura é elevada da 94 a 96ºC por pouco tempo para que haja a desnaturação (separação da dupla fita de DNA). Na segunda etapa é a temperatura é reduzida entre 50 e 60ºC dependendo da quantidade de C e G encontradas no primer, para que os primers se anelem com o DNA. A terceira e última etapa a temperatura é elevada a 72ºC para que a enzima possa funcionar sintetizando a nova molécula. Normalmente são realizadas de 20 a 40 ciclos para cada reação na qual a taxa de replicação é exponencial (2ciclos).

            Após o fim dos ciclos o DNA é analisado através de uma eletroforese em gel de agarose ou de poliacrilamida. A eletroforese é uma técnica de separação de moléculas que envolve a migração de partículas em um determinado gel durante a aplicação de uma diferença de potencial, as moléculas são separadas de acordo com o seu tamanho, pois as de menor massa irão migrar mais rapidamente que as de maior massa, além do tamanho em alguns casos o formato da molécula também influi.

Após a aplicação em gel, é feita a escolha conforme o tamanho da banda, a banda escolhida é submetida as técnicas de RFLP (Polimorfismo no Comprimento de Fragmento de Restrição). Nesta técnica é feita um tratamento do DNA com as enzimas de restrição (endonucleases), que corta em um grande número de pontos (chamados de sítio de restrição), gerando assim uma grande quantidade de fragmentos dependendo do tamanho do genoma. As diferenças na seqüência de DNA das moscas resulta na clivagem de fragmentos de tamanho distintos, que são separados através de eletroforese em gel de agarose.

            As enzimas de restrição são endonucleases que clivam o DNA em regiões específicas. Existem 3 tipos de enzimas de restrição, as de Tipo I (corta o DNA aleatoriamente a 1000 pb do sítio de especificidade), as de Tipo II (cortam no sítio de especificidade ou perto dele), as de Tipo III (cortam a 24 – 26 pb 3’ do sítio de especificidade). As enzimas tipo II são as mais usadas em engenharia genética pelo fato de que seu padrão de clivagem é previsível e controlado. Eles geralmente cortam regiões específicas dentro de tetra, penta ou hexanucleotídios que tem um duplo eixo de simetria rotacional. Tais seqüências são denominadas de palíndromos.

            Com a clivagem do DNA e a formação de diversos fragmentos de DNA com tamanho distintos, conseguimos diferenciar as espécies, pois cada espécie tem uma disposição distinta. Mas somente fazendo a leitura em gel de agarose não conseguimos visualizar essa diferença, para que essa visualização ocorra, precisa-se efetuar a detecção dos marcadores moleculares (RFLP), para isso é preciso transferir os fragmentos separados na eletroforese para uma membrana de nylon, essa transferência é feita por capilaridade utilizando um método denominado “Southern blot”. Nesta técnica a membrana de nylon é posta sobre o gel, onde é feita uma pressão uniforme sobre o gel (essa pressão pode ser feita utilizando uma pilha de papel toalha com um peso em cima), isso faz com que o DNA passe do gel para a membrana, onde ele se adere, esta por sua vez é exposta a radiação ultravioleta para ligar o DNA à membrana permanentemente.

            Para a revelação, isto é, para visualizar essas porções é necessário fazer uma hibridização de pequenos fragmentos clonados de DNA denominados “sondas”, com seqüências homólogas do DNA imobilizando na membrana, assim somente os fragmentos fixados na membrana que são homólogos ao DNA da sonda serão visualizados entre os milhares de fragmentos resultantes do corte com enzimas de restrição. Para a preparação das sondas incorporam-se nucleotídeos contendo moléculas de fósforo radioativos nos fragmentos clonados do DNA. Após a hibridização com as sondas, a membrana é exposta a filme de raio-x em um processo chamado de autoradiografia, revelando as bandas que constituem os marcadores RFLP.

            Como resultado, criam-se marcadores específicos para cada espécie. O banco genômico será alimentado a cada espécie caracterizada por PCR-RFLP.

A caracterização de marcadores moleculares do DNAmt por meio de PCR-RFLP tem-se mostrado bastante eficiente na identificação de insetos de importância forense. Pelo menos 18 espécies de dípteros da família Calliphoridae já tem suas seqüências depositadas no GenBank. No Brasil, estudos têm sido conduzidos com o fim de padronizar tais técnicas para espécies de moscas brasileiras. A caracterização destes marcadores podem contribuir não somente com a identificação de dípteras de interesse forense, mas também contribuir significativamente para a resolução de conflitos taxonômicos (para espécies com grande proximidade morfológica) assim como possibilita uma rápida e eficiente identificação de insetos imaturos (cujos caracteres morfológicos nem sempre são tão evidentes).

O banco genômico tem a característica de ser de acesso público, em especial pela sociedade cientifica, onde poderá ser ampliada não somente a parte das moscas, mais também poderão ser adicionados características de mosquitos, e de outras ordens, como lepidópteras e coleópteras, que são muito utilizadas para o mesmos fins. O acesso ao banco além de inclusão de informações, poderão ser comprados kits com marcadores moleculares para pesquisas e perícias criminais.

            As perspectivas referente ao banco é que ele seja “alimentando”, isto é, sejam acrescentados novos marcadores moleculares e/ou sejam evoluídos os marcadores, e possam a ser confeccionados os microarray (micro arranjos), produzindo assim chips que facilitaram o trabalho dos cientistas e peritos, pois são menores e portáteis.

           

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

  
ALMEIDA, Lúcia Massuti de, RIBEIRO-COSTA, Cibele Stramare; MARINONI, Luciane. MANUAL DE COLETA, CONSERVAÇÃO, MONTAGEM E IDENTIFICAÇÃO DE INSETOS. Editora Holos, Ribeirão Preto-SP, 2003.


BUZZI, Zundir José – Entomologia didática. 4ª ed., Curitiba, Editora UFPR, 2005.

CARVALHO, José Barros de; MELLO-PATIU, Cátia Antunes de. KEY TO THE ADULTS OF THE MOST COMMON FORENSIC SPECIES OF DIPTERA IN SOUTH AMERICA. Revista Brasileira de Entomologia 52 (3): 390-406, setembro 2008.


DNAi. Disponível em <http://www.dnai.org/>   

FARAH, Solange Bento – DNA: Segredos & Mistérios. São Paulo, Sarvier, 2000.

JUNQUEIRA, L. C.; CARNEIRO, José – Biologia celular e molecular. 7ª ed., Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, 1998.

LEITE, Marcelo – Folha Explica: O DNA. São Paulo, Publifolha, 2003.

MALAJOVICH, Maria Antonia – BIOtecnologia. Rio de Janeiro, Axcel Books do Brasil Editora, 2004.

OLIVEIRA-COSTA, Janyra – Entomologia Forense: Quando os insetos são vestígios. Campinas/SP, Millennium, 2003.

TOCCHETTO, Domingos; ESPINDULA, Alberi – Criminalística: procedimento e metodologia. Porto Alegre, [s.n.], 2005.

TURNER, P. C.; MCLENNAN, A. G.; BATES, A. D.; WHITE, M. R. H. -  Biologia Molecula. 2ª ed., Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, 2004.

WATSON, James D.. DNA – O segredo da vida: 4ª ed., Companhia de letras, 2008.


Wikipédia, disponível em < http://pt.wikipedia.org/>.

ATIVIDADES LÚDICAS NA BIOLOGIA

PACINI, Diogo Barth. 


Boa tarde Pessoal.

Hoje venho falar um pouco do que vem a ser atividades lúdicas, pois é um dos trabalhos que desenvolvo em parceria com alguns amigos e colegas, e poucas pessoas sabem o que é, ou se tem noção não sabe como funciona.

A atividade lúdica nada mais é do que Brincadeira, mas ai vem a questão, muitos perguntam se a gente desenvolve jogos. Sim, nós desenvolvemos jogos, mas com uma finalidade educativa, isso é, ensinar algo a alguém.

Para ficar mais claro é só lembrar da infância, onde todos nós íamos para a escola brincar, com as brincadeiras nós aprendíamos os números, o alfabeto, os animais, as plantas, a nos comunicar, não é verdade? Só que com o passar do tempo essas brincadeiras foram sendo deixadas de lado, ou melhor, foram tiradas da gente pelos professores e pela sociedade, com a seguinte frase: BRINCADEIRA É COISA DE CRIANÇA. Mas muitos estudos comprovam o contrário, é brincando que a gente aprende, pois é descontraído, e não ficamos apreensivos, por não termos a obrigação de aprender.

Jogar só por jogar não existe, em todas as brincadeiras e jogos a gente aprende alguma coisa. O que fazemos é transformar aqueles estudos mais difíceis em jogos. Por exemplo, muitos tem dificuldade na hora da transcrição, isso é, do DNA para o mRNA. E muitos não imaginam o DNA em forma plana, pois todos ficam pensando em sua forma helicoidal, ou o inverso (varia de pessoa pra pessoa). Temos o Jogo do DNA que serve exatamente para isso, primeiro ensinamos como fazem as ligações A-T, G-C; depois ensinamos onde a Uracila (U) entra no mRNA. E isso, na hora da brincadeira vem automático por causa das formas e cores. Outra coisa que muitos tem dificuldade é entender a metilação, neste jogo com a forma e cor, fica muito fácil de entender.

Uma pesquisa que realizamos e que em breve iremos divulgar o resultado foi com o ensino superior, onde constatamos que muitos alunos vêm com falha do ensino médio, em genética e em biologia de uma forma geral. E que após aplicarmos algumas das atividades desenvolvidas por nós, os alunos conseguiram entender. E em resumo todos adoraram a nova forma de ensinar e muitos não acreditavam que brincando eles iriam aprender.

Nós temos atividades que desenvolvemos de forma geral, como o jogo do cariótipo, do DNA, da célula, do ABO. Mas também desenvolvemos jogos em parceria com os professores, onde eles nos informam a maiores dificuldades de seus alunos, e com base na sua metodologia de ensino, no material didático utilizado em sala de aula, nós montaremos o(s) jogo(s).

Uma outra atividade para a comprovação da eficácia dos jogos foi divulgado no trabalho de conclusão de curso (TCC) da minha amiga e colega Carla e no Enebio de 2010.

Então resumindo, a atividade lúdica nada mais é do que brincar para aprender, onde todos brincamos, tanto ensinando quanto aprendendo. Com essas atividades conseguimos explorar diversas inteligências (motora/tátil, visual e auditiva), pois com elas nós trabalhamos manualmente, visualizamos as estruturas de formas diferenciadas, tocamos e obviamente necessitamos escutar para entender o comando da atividade.

Para finalizar, divulguem a necessidade do lúdico no ensino, chega de muito bla bla bla, e canetão, vamos mudar o futuro desta juventude, fazendo que eles se desenvolvam de forma feliz e sem traumas, diminuindo a timidez, aumentando a interação aluno-aluno e professor-aluno, chega desta história que professor só serve reproduzir o conhecimento e o aluno para copiar, vamos criar uma juventude auto-suficiente, que tira suas próprias conclusões, que consiga criar, enfim, por uma sociedade mais pensante.

TRANSGÊNICOS NO BRASIL

PACINI, Diogo Barth.


A palavra transgêncico ou transgenia é um tanto polêmica, devido a forma com que foi tratada.

De um lado cientistas, pesquisadores, agricultures, empresas multinacionais e alguns políticos são a favor dos transgênicos, visto que esta técnica veio para melhorar o que já existia, facilitar o plantio, a manutenção e a colheita, além de gerar muitos lucros. 

Em contra-ponto temos os ambientalistas, alguns políticos que são contra toda e qualquer forma de alteração do meio ambiente, muitos não aceitam a interferência do homem na natureza. 
Em meio a tudo isso a população, que recebe algumas informações dos dois lados e tem que digerir da forma que melhor entender. 


ORGANISMO GENETICAMENTE MODIFICADO (OGM) 

Os transgênicos são modificações genética, em uma terminologia mais cientifica e adequada utilizamos os OGM's, onde a planta, animal ou qualquer outro organismo vivo, tem uma carga genética (DNA e/ou RNA), e por meio de manipulação, utilizando as técnicas de biologia molecular ou genética molecular, faz-se uma transferência entre um organismo e outro. 

Os transgênicos que temos hoje no mercado são adquirido por transferência de uma pequena parte do DNA/RNA de uma bactéria para uma planta. Essa transgenia normalmente é feita para melhorar uma planta, torna-la resistente ou tolerante a um inseto (praga), a seca ou até mesmo torna-la mais nutritiva. Antes da liberação comercial, isso é, antes que a população tenha contato com esse transgênicos, eles passam por uma bateria de testes laboratoriais e a campo, para serem testados se deu certo ou não, se pode trazer prejuizo para o meio ambiente ou para o humano/animal. 


MELHORAMENTO GENÉTICO 

Vamos voltar um pouco no tempo, e falarmos de melhoramento genético, a muitos anos atrás foram inventados e é utilizado até hoje uma técnica que não tem a manipulação genética, mas por cruzamento, também conhecidos como melhoramento convencional, e ocorre de uma plantas mais resistentes, com uma plantas menos resistentes e se obtém uma planta de interesse. 

A diferença entre o melhoramento o genético e a transgenia, é que esse melhoramento é feito somente de planta para planta e animal para animal, e além disso leva muito tempo, e nem sempre o resultado é previsível, pois não sabemos quais os genes irão passar de uma planta para outra ou de um animal para outro. Mas a transgenia por outro lado é feito em laboratório de forma controlada e pode ser transferidos parte ou todo o material genético, isso é, já tem como prever o que poderá acontecer.


MELHORAMENTO GENÉTICO MODERNO 

Com o desenvolvimento da biologia molecular ou mais propriamente dito da biotecnologia, pode se ter um controle maior sobre essas modificações, além de sabermos quais serão as partes transferidas, podemos escolhê-las e manipular, e o resultado é mais rápido do que a do melhoramento genético convencional. 


LEGISLAÇÃO 

Na Constituição Federal de 1988 nos artigos 218 e 225, já previa uma futura utilização da engenharia genética. 

A primeira lei relacionada a esse tema foi a legislação de biossegurança numero 8.974, de 5 de janeiro de 1995. que foi elaborada com o intuito de regulamentar os incisos II e V do § 1º do artigo 225 da Constituição Federal, estabeleceu as normas para o uso das técnicas de engenharia genética e liberação no meio ambiente de organismos geneticamente modificados, e autorizou o Poder Executivo a criar a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). 

Após essa lei foram elaboradas a Medida Provisória nº 2.191-9, de 23.8.2001, além de outras medidas provisórias. 

Até que em 2005, foi elaborado a 2ª lei de biossegurança. A Lei nº 11.105, DE 24 DE MARÇO DE 2005, regulamentou os incisos II, IV e V do § 1o do art. 225 da Constituição Federal, estabeleceu normas de segurança e mecanismos de fiscalização de atividades que envolvam organismos geneticamente modificados – OGM e seus derivados, criou o Conselho Nacional de Biossegurança – CNBS, reestrutura a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança – CTNBio, dispôs sobre a Política Nacional de Biossegurança – PNB, revogou a Lei no 8.974, de 5 de janeiro de 1995, e a Medida Provisória no 2.191-9, de 23 de agosto de 2001, e os arts. 5º, 6º, 7º, 8º, 9º, 10º e 16º da Lei no 10.814, de 15 de dezembro de 2003. Esta Lei estabeleceu normas de segurança e mecanismos de fiscalização sobre a construção, o cultivo, a produção, a manipulação, o transporte, a transferência, a importação, a exportação, o armazenamento, a pesquisa, a comercialização, o consumo, a liberação no meio ambiente e o descarte de organismos geneticamente modificados – OGM e seus derivados, tendo como diretrizes o estímulo ao avanço científico na área de biossegurança e biotecnologia, a proteção à vida e à saúde humana, animal e vegetal, e a observância do princípio da precaução para a proteção do meio ambiente. 

Além dessas leis existem o PROTOCOLO DE CARTAGENA, do qual o Brasil é signatário, esse protocolo é um acordo internacional onde os paises como o Brasil utilizam como base para elaboração de suas leis. 
Também temos o CODEX ALIMENTARIUS, que é uma diretriz, o Brasil também é parte integrante, mas nesse ao contrário do protocolo tem diretrizes, que serve como apoio, isso é, não é obrigado a seguir. Fora esses acordos internacionais, no Brasil temos diversos órgãos que fiscalizam e regulamentam os transgênicos. Dentre eles temos: 

  • CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança): é um órgão integrante do Ministério da Ciência e Tecnologia. A CTNBio é uma instância colegiada, isso é, formada por diversos órgãos além de representante da sociedade civil, e a função é analisar caso a caso os projetos de transgenia, regulamentar, aprovar ou reprovar liberação comercial, e prestar suporte técnico para o Governo Federal. 
  • CNBS (Conselho Nacional de Biossegurança): Vinculado a Presidência da República e a função é dar apoio ao governo, analisar os pedidos da CTNBio, elaborar e fixar normas e diretrizes. É um órgão de última instância. 
  • MINISTÉRIO DA SAÚDE/ANVISA: Este ministério tem como função analisar casos que podem interferir na saúde humana e/ou quando forem solicitados testes em humanos, além de fiscalizar a produção e liberação comercial. 
  • MINISTÉRIO DA AGRICULTURA: Este órgão analisa caso a caso, dos projetos de pesquisas, quando tem ou não uso de agrotóxico, de fato o ministério da agricultura analisa todos os projetos que passaram pela CTNBio e ainda não foram liberados legalmente para o comércio, quando esse último ocorre, o ministério tem que fiscalizar a liberação e a produção. 
  • MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE/IBAMA: Este ministério é acionado, isso é, analisa casos que precisam de análise de impacto ambiental ou quando o produto pode interferir no meio ambiente. 
  • CIBio (Comissão Interna de Biossegurança): Esse é um órgão interno das empresas que trabalham com engenharia genética, melhoramento genético. Todas as empresas tem que ter um CIBio para providênciar as documentações, elaborar o projeto e dar entrada nos órgãos competentes, além de responder as dúvidas, solucionar problemas e providênciar as devidas alterações, quando solicitada por um dos órgãos citados acima. 


PARA SABER MAIS SOBRE A LEGISLAÇÃO, SOBRE OS ORGÃOS VOCÊ PODERÁ ACESSAR OS SEGUINTES SITES: